O Ricardo Balthazar, no Valor, deu um furo que eu gostaria de ter dado. (em tempos de escândalos futebolísticos com travestis, cabe um aviso: furo, em jargão jornalístico, é material exclusivo, calma lá).
Com documentos dos arquivos dos EUA, mostra como, ao contr´pario do que se afirma por aí, o governo Lula tentou desde o início uma aproximação com o govverno Bush, e dá detalhes da participação de José Dirceu, que chegou a dar sinais inversos aos do Itamaraty para as autoridades norte-americanas. Falo disso lá no Sítio do Sergio Leo, AQUI.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
sexta-feira, 11 de abril de 2008
A declaração extraída à bala

O ministro da Defesa, Nélson Jobim, participou de uma audiência pública, de três horas, e deu uma entrevista coletiva, de duas horas nesta semana, falando da estratégia de defesa preparada pelo governo. Falou para os parlamentares sobre os cenários de defesa e citou a hipótese de invasão da Amazônia. Foi o mote para que repórteres, na coletiva, insistissem com perguntas sobre o temor do governo em relação a uma possível invasão das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, os guerrilheiros das Farc, assunto que nem de longe fez parte da longa e detalhada explanação de Jobim sobre seus planos para as Forças Armadas.
Jobim explicou que não se tratava de prevenção contra nenhuma ameaça em particular, e que não estava se referindo às Farc. Não agradou, os jornalistas queriam declaração sobre esse tema quente. Já na saída, depois de ter se esquivado do assunto com a obstinação de um soldado de infantaria, foi abordado por mais um repórter, que insistiu: "mas ministro, precisamos saber, como as Forças Armadas vão receber as Farc se elas invadirem o Brasil? Com cara de enfado (saco cheio, no jargão militar), Jobim cedeu:
"À bala. Tá respondido".
Manchete de página em um jornal no dia seguinte: "Jobim diz que Brasil receberia as Farc à bala". E citava as informações que Jobim deu sobre a proteção militar às fronteiras amazônicas, dando a impressão que ele se referia à proteção contra os guerrilheiros. No outro dia, outro jornal incorporou-se ao factóide: o assessor de Lula, Marco Aurélio Garcia, "minimizou" as declarações de Jobim, dizia a notícia.
Essa hipertrofia do fato praticada no jornalismo contemporâneo já me rendeu um post, em meu outro blogue. Minha impressão é de que, cada vez mais, o noticiário sobre certos assuntos deveria vir acompanhado de um adendo, com o contexto das declarações das autoridades. Se não for por outro motivo, por pena dos historiadores do futuro.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
O tamborete de Chávez
Eu matutava sobre o porquê de o Chávez não ter nunca mais falado do ambicionado Banco do Sul, planejado para reunir Argentina, Venezuela, Bolívia, Brasil e companhia. Chegou então ao meu e-mail esse informa do site Notícias do Planalto:
O banco da Alternativa Bolivariana para a América (Alba) entrará em funcionamento a partir do próximo dia 25. O anúncio foi feito pelo ministro venezuelano de Indústria Básica e Mineração, Rodolfo Sanz, durante reunião da Comissão de Mesas Técnicas da Alba, realizada no último final de semana em Caracas. A Alba é um instrumento de integração firmado entre Bolívia, Cuba, Nicarágua, República Dominicana e Venezuela.
O bloco não visa apenas relações comerciais, mas também, ações que reduzam os contrastes sociais na América Latina. De acordo com Sanz, os primeiros projetos a serem financiados pelo banco serão nas áreas de telecomunicações, agricultura e indústria de alimentos e medicamentos.
Já estão previstas a criação de cinco empresas da Alba, chamadas de gran-nacionais, e dez projetos de caráter social.Sanz destacou a criação da empresa na área de telecomunicações que irá atuar nos cinco países. Segundo o ministro, a empresa já está quase pronta e servirá para se contrapor a um dos principais monopólios que sustenta o capitalismo. A próxima reunião da Alba acontecerá na capital de Cuba, Havana, e definirá a composição da diretoria do banco.
Chávez tem um problema, em seus esforços para financiar ações e investimentos de governos aliados. Essas ações pegam mal pacas, na opinião pública venezuelana, que vê a enorme carência de infra-estrutura no país, e gostaria de ver todo o dinherio dos petrodólares venezuelanos gasto no país. No auge das pressões de Chávez pelo Banco do Sul, com Argentina e Bolívia, de início, me disseram que a idéia era uma maneira encontrada por Chávez de encaminhar esses petrodólares, mas sob a capa de uma instituição financeira, sediada na venezuela, com prestígio de banco multilateral.
A geladeira em que foi posto o Banco do Sul e a celeridade com que se fez esse Banco da Alba me dá forte impressão de que a tese acima é verdadeira.
O banco da Alternativa Bolivariana para a América (Alba) entrará em funcionamento a partir do próximo dia 25. O anúncio foi feito pelo ministro venezuelano de Indústria Básica e Mineração, Rodolfo Sanz, durante reunião da Comissão de Mesas Técnicas da Alba, realizada no último final de semana em Caracas. A Alba é um instrumento de integração firmado entre Bolívia, Cuba, Nicarágua, República Dominicana e Venezuela.
O bloco não visa apenas relações comerciais, mas também, ações que reduzam os contrastes sociais na América Latina. De acordo com Sanz, os primeiros projetos a serem financiados pelo banco serão nas áreas de telecomunicações, agricultura e indústria de alimentos e medicamentos.
Já estão previstas a criação de cinco empresas da Alba, chamadas de gran-nacionais, e dez projetos de caráter social.Sanz destacou a criação da empresa na área de telecomunicações que irá atuar nos cinco países. Segundo o ministro, a empresa já está quase pronta e servirá para se contrapor a um dos principais monopólios que sustenta o capitalismo. A próxima reunião da Alba acontecerá na capital de Cuba, Havana, e definirá a composição da diretoria do banco.
Chávez tem um problema, em seus esforços para financiar ações e investimentos de governos aliados. Essas ações pegam mal pacas, na opinião pública venezuelana, que vê a enorme carência de infra-estrutura no país, e gostaria de ver todo o dinherio dos petrodólares venezuelanos gasto no país. No auge das pressões de Chávez pelo Banco do Sul, com Argentina e Bolívia, de início, me disseram que a idéia era uma maneira encontrada por Chávez de encaminhar esses petrodólares, mas sob a capa de uma instituição financeira, sediada na venezuela, com prestígio de banco multilateral.
A geladeira em que foi posto o Banco do Sul e a celeridade com que se fez esse Banco da Alba me dá forte impressão de que a tese acima é verdadeira.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Ainda as FARC
Não adianta mudar de assunto, essa é, hoje, a mais emergente questão para a integração sul-americana, uma das prioridades deste blogue; portanto, vamos falar mais uma vez de FARC.
Vamis, disse eu? É melhor deixar falar quem entende muito bem do assunto, o professor Alfredo Rangel, analista que é simpático ao governo, mas é bom analista, e sério. Em artigo na página dele AQUI, ele conta que as FARC perderam 30% dos combatentes (de18 mil a cerca de 12 mil), muitos por deserção; perdeu aliados entre os camponeses, viram cair em 40% suas receitas com as ligações no narcotráfico e sequestros _ estes últimos se reduziram em 92 %, de 998 a 75 .
O número de munciípios com ataques da Farc caiu 40%, com a expulsão deles de áreas estratégicas e o corte de sua saída para o Sul. Com a perda territorial, caiu também a capacidade de operação: os ataques a forças do governo diminuiram quase à metade, de 399 a 214; atentados contra a infra-estutrua também oram cortados em 50%; ataques a povoados encolheram, de 39 em 2006 para apenas um em 2007. Estão de moral baixa, sem comunicações fluidas, desarticulados, sem presença urbana.
Nesse cenário, diz o professor Rangel, quanto mais tarde as FARC negociarem, menor a chance de conseguiram alguma coisa.
Uribe pode ser tentado a descartar qualquer acordo com as Farc, na expectativa de dizimá-las. Em qualquer hipótese, faz sentido a decisão do Exército brasilerio em reforçar o controle das fronteiras. Não há dúvida que eles serão empurrados para a floresta, para essas bandas e as equatorianas e venezuelanas.
, casi la mitad. Los retenes ilegales pasaron de 278 a 37, un 86 por ciento menos. Sus atentados contra la infraestructura económica bajaron a menos de la mitad, sus ataques a poblaciones descendieron de 39 a 1. Y no es por falta de ganas, sino por falta de fuerza.
Vamis, disse eu? É melhor deixar falar quem entende muito bem do assunto, o professor Alfredo Rangel, analista que é simpático ao governo, mas é bom analista, e sério. Em artigo na página dele AQUI, ele conta que as FARC perderam 30% dos combatentes (de18 mil a cerca de 12 mil), muitos por deserção; perdeu aliados entre os camponeses, viram cair em 40% suas receitas com as ligações no narcotráfico e sequestros _ estes últimos se reduziram em 92 %, de 998 a 75 .
O número de munciípios com ataques da Farc caiu 40%, com a expulsão deles de áreas estratégicas e o corte de sua saída para o Sul. Com a perda territorial, caiu também a capacidade de operação: os ataques a forças do governo diminuiram quase à metade, de 399 a 214; atentados contra a infra-estutrua também oram cortados em 50%; ataques a povoados encolheram, de 39 em 2006 para apenas um em 2007. Estão de moral baixa, sem comunicações fluidas, desarticulados, sem presença urbana.
Nesse cenário, diz o professor Rangel, quanto mais tarde as FARC negociarem, menor a chance de conseguiram alguma coisa.
Uribe pode ser tentado a descartar qualquer acordo com as Farc, na expectativa de dizimá-las. Em qualquer hipótese, faz sentido a decisão do Exército brasilerio em reforçar o controle das fronteiras. Não há dúvida que eles serão empurrados para a floresta, para essas bandas e as equatorianas e venezuelanas.
, casi la mitad. Los retenes ilegales pasaron de 278 a 37, un 86 por ciento menos. Sus atentados contra la infraestructura económica bajaron a menos de la mitad, sus ataques a poblaciones descendieron de 39 a 1. Y no es por falta de ganas, sino por falta de fuerza.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Suíço embaralha idéias depois de provar álcool brasileiro
Jean Ziegler, o relator da ONU para o direito da alimentação, está mais sóbrio em suas relações com o álcool brasileiro. Crítico severo do uso de biocombustíveis, ele há pouco tempo incluía o programa do álcool brasileiro entre os vilões que estão ameaçando a produção mundial de alimentos com plantações destinadas a mover automóveis. Agoram, mudou. O álcool brasileiro é sustentável e não ameaça, garante ele.
O argumento para essa virada radical eu li na Folha, segundo a qual, Ziegler diz ter estudado mais o assunto, conversado com o governo brasileiro e mduadod e opinião. O fato é que houve uma pressão violenta da diplomacia brasileira. E que, pelo jeito, os argumentos de Ziegler estavam mais fundados nas cartilhas de preconceitos do terceiro setor que em convicções cimentadas pelo conhecimento profundo do tema.
Por essas e outras, a esquera perde credibilidade como interlocutor. Há algum tempo fiz uma resenha ligeira, para o Valor, do livro do Eric Toussaint, sobre a necessidade de moratória da dívida externa inclusive no Brasil. Ao lado de bons relatos históricos e sugestões sensatas, havia uma coleção de propostas principistas, paranasianas, doutrinárias, sobre o que os países emergentes deveriam fazer com as dívidas _ sem muita atenção para as conseqüências financeiras e políticas de algumas das ações propostas.
Esse discurso doutrinário tem o mérito de se contrapor às doutrinas também dogmáticas dos liberais _ que, por exemplo, são incapazes de sair em defesa dos migrantes contra as atitudes xeníofibas dos países desenvolvidos (o liberalismo nesas horas sempre esquece que a teoria de Adam Smith e de David Ricardo preconizava livre movimentação de TODOS os fatores de produção, inclusive a mão de obra, para a qual não deveria haver barreiras).
Mas o discurso meramente ideológico tem dessas desmoralizações. Um dia o sujeito resolve estudar o mundo real, verificar as condições pragmáticas de execução de certas políticas, e é obrigado a desdizer o que disse. Ou o intelectual Ziegler é capaz de falar qualquer coisa para não perder o emprego?
O argumento para essa virada radical eu li na Folha, segundo a qual, Ziegler diz ter estudado mais o assunto, conversado com o governo brasileiro e mduadod e opinião. O fato é que houve uma pressão violenta da diplomacia brasileira. E que, pelo jeito, os argumentos de Ziegler estavam mais fundados nas cartilhas de preconceitos do terceiro setor que em convicções cimentadas pelo conhecimento profundo do tema.
Por essas e outras, a esquera perde credibilidade como interlocutor. Há algum tempo fiz uma resenha ligeira, para o Valor, do livro do Eric Toussaint, sobre a necessidade de moratória da dívida externa inclusive no Brasil. Ao lado de bons relatos históricos e sugestões sensatas, havia uma coleção de propostas principistas, paranasianas, doutrinárias, sobre o que os países emergentes deveriam fazer com as dívidas _ sem muita atenção para as conseqüências financeiras e políticas de algumas das ações propostas.
Esse discurso doutrinário tem o mérito de se contrapor às doutrinas também dogmáticas dos liberais _ que, por exemplo, são incapazes de sair em defesa dos migrantes contra as atitudes xeníofibas dos países desenvolvidos (o liberalismo nesas horas sempre esquece que a teoria de Adam Smith e de David Ricardo preconizava livre movimentação de TODOS os fatores de produção, inclusive a mão de obra, para a qual não deveria haver barreiras).
Mas o discurso meramente ideológico tem dessas desmoralizações. Um dia o sujeito resolve estudar o mundo real, verificar as condições pragmáticas de execução de certas políticas, e é obrigado a desdizer o que disse. Ou o intelectual Ziegler é capaz de falar qualquer coisa para não perder o emprego?
domingo, 9 de março de 2008
Sabores da democracia
O que dizer de um país onde o presidente da República veta uma lei aprovada no Senado, seguindo a linha de tratados e convenções internacionais, que proibiria uma forma de tortura?
Ora, só o que se pode dizer é que é a principal democracia do Ocidente. E, pior, que merece o apoio de boa parte da brasileirada.
Nos jornais do Brasil não mereceu registro nas primeiras páginas, só referências nas páginas internas. A RTP conta o caso:
"O presidente dos Estados Unidos vetou um diploma do Congresso que proibia a CIA de utilizar técnicas de interrogação controversas, tais como o afogamento simulado. Bush argumentou que a sua decisão se deve à necessidade de continuar a luta contra o terrorismo.
tamanho da letra
Na habitual comunicação semanal na rádio, o presidente dos EUA confirmou o que já tinha anunciado. Vetou a legislação do Congresso que pretendia acabar com as mais severas técnicas de interrogatório da CIA. “Porque o perigo mantém-se, devemos velar para que os nossos serviços de informações tenham os instrumentos necessários para parar os terroristas”, disse Bush, argumentando que esta legislação iria “diminuir estas ferramentas vitais” da CIA. "
Eu cá, que detesto dor, já aviso que, só sob ameaça de tortura, confesso tudo. Não pertenço a nenhuma organização, nem ao Clube de Imprensa, nem gosto de ouvir segredos de ninguém. Mas sou como aquele personagem orelhudo da piada sobre a eficiência das polícias: competindo para ver qual era a melhor polícia investigativa do mundo, a PM carioca tinha de encontrar uma raposa no prazo mais curto possível; solto o bichinho, a PM voltou vinte minutos depois com um coelhinho cheio de hematomas, pelo estropiado, olho roxo, que gritava: "eu sou a raposa! eu sou a raposa!". Lembram daquele rpeso da Al Quaeda que confessou terrorismos de toda sorte, na África e nos EUA? Pois é.
Oliveira, o canalha que trabalha no Valor, me disse que vai além; basta ser apanhado pela imigração espanhola, e ser isolado numa salinha à parte que já confessará ser uma prostituta brasileira com intenção de imigrar ilegalmente e tirar o emprego dos pobres europeus. Ou da mãe de alguns, sei lá.
Ora, só o que se pode dizer é que é a principal democracia do Ocidente. E, pior, que merece o apoio de boa parte da brasileirada.
Nos jornais do Brasil não mereceu registro nas primeiras páginas, só referências nas páginas internas. A RTP conta o caso:
"O presidente dos Estados Unidos vetou um diploma do Congresso que proibia a CIA de utilizar técnicas de interrogação controversas, tais como o afogamento simulado. Bush argumentou que a sua decisão se deve à necessidade de continuar a luta contra o terrorismo.
tamanho da letra
Na habitual comunicação semanal na rádio, o presidente dos EUA confirmou o que já tinha anunciado. Vetou a legislação do Congresso que pretendia acabar com as mais severas técnicas de interrogatório da CIA. “Porque o perigo mantém-se, devemos velar para que os nossos serviços de informações tenham os instrumentos necessários para parar os terroristas”, disse Bush, argumentando que esta legislação iria “diminuir estas ferramentas vitais” da CIA. "
Eu cá, que detesto dor, já aviso que, só sob ameaça de tortura, confesso tudo. Não pertenço a nenhuma organização, nem ao Clube de Imprensa, nem gosto de ouvir segredos de ninguém. Mas sou como aquele personagem orelhudo da piada sobre a eficiência das polícias: competindo para ver qual era a melhor polícia investigativa do mundo, a PM carioca tinha de encontrar uma raposa no prazo mais curto possível; solto o bichinho, a PM voltou vinte minutos depois com um coelhinho cheio de hematomas, pelo estropiado, olho roxo, que gritava: "eu sou a raposa! eu sou a raposa!". Lembram daquele rpeso da Al Quaeda que confessou terrorismos de toda sorte, na África e nos EUA? Pois é.
Oliveira, o canalha que trabalha no Valor, me disse que vai além; basta ser apanhado pela imigração espanhola, e ser isolado numa salinha à parte que já confessará ser uma prostituta brasileira com intenção de imigrar ilegalmente e tirar o emprego dos pobres europeus. Ou da mãe de alguns, sei lá.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Enquanto isso, na matriz...
Confesso envergonhado a falta de empenho deste blogue em comentar os desdobramentos das primárias nas eleições norte-americanas. Mas é que perderia na comparação com o excelente trabalho sobre o assunto que vêm fazendo dois amigos e blogueiros lendários, o Idelber Avelar , AQUI, e o Pedro Dória, AQUI.
Do Dória:
"Em 1984, as prévias democratas foram também apertadas assim. O veterano senador Walter Mondale e o novato Gary Hart disputaram por meses, até que Mondale lançou o anúncio do telefone. Exatamente o mesmo anúncio que Hillary usou agora. O tom apelativo de, na crise, ‘quem você quer atendendo este telefone?’, é um clichê eleitoral norte-americano. A experiência decidiu a candidatura naquele ano. Mondale era o veterano, afinal.
Seu problema é que, depois de convencer os eleitores de que segurança era a questão mais importante da eleição, Mondale teve de enfrentar Ronald Reagan que concorria à reeleição. E, se segurança era importante, dados Mondale e Reagan, ficaram com Reagan. É o risco que Hillary corre. Pode convencer os eleitores de que segurança é um assunto primordial e que, perante Obama, melhor que seja Hillary. Mas aí, à frente, terá que enfrentar John McCain, um herói de guerra."
Do Idelber:
"3.Com o quatro atual, estamos naquela situação imortalizada por Luis Fernando Veríssimo em seu O Analista de Bagé: ninguém sai, ninguém sai. A única possibilidade realista de que alguém abandone a corrida é que Obama vença Hillary na Pensilvânia, que é a terra natal da senadora e o único estado realmente grande com primárias programadas. Elas acontecerão no dia 22 de abril. Se Obama vencer lá, volta a pressão para que ela abandone. Se não, a coisa talvez se arraste até a convenção. Os republicanos, claro, vão adorar. Antes da Pensilvânia, votarão Wyoming, no dia 08 de março, e Mississippi, no dia 11, ambos Obamaland.
4.Obama tem que aprender a dar umas caneladas. Não precisa abdicar de seus princípios éticos, mas algum tipo de reação mais dura aos ataques negativos ele terá que elaborar. Nesta semana, Hillary chegou a declarar: eu trago uma experiência de vida; John McCain traz uma experiência de vida; Barack Obama faz discursos. Imagine quantas vezes os republicanos vão tocar esse clip na eleição geral, caso se confirme a candidatura de Obama. "
Sei não, tenho acordado com a incôndita sensação de que os EUA, nos anos que se seguem, serão governados por um homem, branco, e republicano.
***
Em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade, já dizia o outro. Por isso confio desconfiando do noticiário sobre a briga Venezuela- Colômbia- Equador- Farc. O noticiário diz que os colombianos se regozijam com o fato de que foi um telefonema de Chávez ao segundo homem das Farc, Raul Reyes, que permitiu a ação militar encerrada com o massacre de guerrilheiros, entre eles, o próprio Reyes, em território equatoriano.
Se for verdade, isso confirma a tese de que não houve uma reação a ataque da guerrilha, e sim uma deliberada missão de trucidamento de um grupo das Farc. Coincidentemente, com a morte de um dos guerrilheiros mais identificados com a face moderada da guerrilha, o interlocutor para negociações de paz e liberação de reféns. Coisa bacana para quem acredita que não há saída negociada com as Farc e que seus integrantes devem ser dizimados, a qualquer custo. Troço chato para quem esperava empenho do governo colombiano pela sobrevivência dos reféns e acreditava no interesse de Uribe em alguma negociação.
Do Dória:
"Em 1984, as prévias democratas foram também apertadas assim. O veterano senador Walter Mondale e o novato Gary Hart disputaram por meses, até que Mondale lançou o anúncio do telefone. Exatamente o mesmo anúncio que Hillary usou agora. O tom apelativo de, na crise, ‘quem você quer atendendo este telefone?’, é um clichê eleitoral norte-americano. A experiência decidiu a candidatura naquele ano. Mondale era o veterano, afinal.
Seu problema é que, depois de convencer os eleitores de que segurança era a questão mais importante da eleição, Mondale teve de enfrentar Ronald Reagan que concorria à reeleição. E, se segurança era importante, dados Mondale e Reagan, ficaram com Reagan. É o risco que Hillary corre. Pode convencer os eleitores de que segurança é um assunto primordial e que, perante Obama, melhor que seja Hillary. Mas aí, à frente, terá que enfrentar John McCain, um herói de guerra."
Do Idelber:
"3.Com o quatro atual, estamos naquela situação imortalizada por Luis Fernando Veríssimo em seu O Analista de Bagé: ninguém sai, ninguém sai. A única possibilidade realista de que alguém abandone a corrida é que Obama vença Hillary na Pensilvânia, que é a terra natal da senadora e o único estado realmente grande com primárias programadas. Elas acontecerão no dia 22 de abril. Se Obama vencer lá, volta a pressão para que ela abandone. Se não, a coisa talvez se arraste até a convenção. Os republicanos, claro, vão adorar. Antes da Pensilvânia, votarão Wyoming, no dia 08 de março, e Mississippi, no dia 11, ambos Obamaland.
4.Obama tem que aprender a dar umas caneladas. Não precisa abdicar de seus princípios éticos, mas algum tipo de reação mais dura aos ataques negativos ele terá que elaborar. Nesta semana, Hillary chegou a declarar: eu trago uma experiência de vida; John McCain traz uma experiência de vida; Barack Obama faz discursos. Imagine quantas vezes os republicanos vão tocar esse clip na eleição geral, caso se confirme a candidatura de Obama. "
Sei não, tenho acordado com a incôndita sensação de que os EUA, nos anos que se seguem, serão governados por um homem, branco, e republicano.
***
Em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade, já dizia o outro. Por isso confio desconfiando do noticiário sobre a briga Venezuela- Colômbia- Equador- Farc. O noticiário diz que os colombianos se regozijam com o fato de que foi um telefonema de Chávez ao segundo homem das Farc, Raul Reyes, que permitiu a ação militar encerrada com o massacre de guerrilheiros, entre eles, o próprio Reyes, em território equatoriano.
Se for verdade, isso confirma a tese de que não houve uma reação a ataque da guerrilha, e sim uma deliberada missão de trucidamento de um grupo das Farc. Coincidentemente, com a morte de um dos guerrilheiros mais identificados com a face moderada da guerrilha, o interlocutor para negociações de paz e liberação de reféns. Coisa bacana para quem acredita que não há saída negociada com as Farc e que seus integrantes devem ser dizimados, a qualquer custo. Troço chato para quem esperava empenho do governo colombiano pela sobrevivência dos reféns e acreditava no interesse de Uribe em alguma negociação.
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