segunda-feira, 21 de julho de 2008

Os radicais de Evo Morales

Aí você acha que o presidente da Bolívia é um radical de extrema esquerda, nacionalista e anti-mercado.



Precisava contar para os esquerdistas, nacionalistas anti-mercado bolivianos, que me mandaram o seguinte e-mail:



La Paz, 20 jul. (Hora 25).- Este lunes a las 18:30 se presenta en la Federación de Trabajadores de la Prensa de La Paz, el libro “El Poder de la Nacionalización” del periodista Mirko Órgaz García que describe la trama de la falsa naciolización del gobierno de Evo Morales y la venta de gas a Chile.
Estarán presentes en el acto de presentación el Sindicato de Trabajadores de Huanuni, la Central Obrera Departamental de Oruro, el Comité Cívico de Camiri, representantes de la Universidad Pública de El Alto (UPEA), del distrito 4 y 6 de la ciudad de El Alto y las federaciones universitarias locales de de Cochabamba, Oruro y Potosí. Están invitados al evento, el ing. Enrique Mariaca, el Dr. Justo Zapata, el dirigente minero Jaime Solares, que se reunirán en los salones de la federación de la prensa paceña, principal auspiciador del evento.
El libro recupera la historia de las nacionalizaciones en el mundo, América Latina y describe el proceso de las dos nacionalizaciones en Bolivia, probando que la emisión del D.S. 28701 de 'nacionalización', simplemente fue la aplicación de la Ley 3058 aprobada el año 2005, garantizando de esta manera el negocio a favor de las transnacionales.
Mirko Orgáz escribió el año 2002 'La Guerra del gas', anticipándose a la gesta heroica del pueblo alteño el año 2003, cuyo saldo fue de 67 muertos y más de 500 heridos.




Informações sobre o Mirko, AQUI, AQUI e AQUI.

domingo, 20 de julho de 2008

A ministra que não o foi

Perdão leitores, por não ter atualizado o blogue: a ministra abaixo, pelo jeito, teve de "tirar da reta". E o motivo foi a decisão de Lugo de nomear um político tradicional, do partido Liberal, para Itaipu, quando a ministra queria alguém da esquerda.

Isso só me consolida a impressão que deixei registrada na coluna, no Valor, AQUI. Lugo será um presidente moderado, vai fazer pressão sobre o Brasil mas terá um governo bem mais ortodoxo do que se imagina. Ninguém chega a bispo chutando portas. Ainda que ele esteja criando encrenca à pampa com os fiéis.

A coluna mereceu uma correção. Tomei uma liberdade poética de falar do moço que serve cafezinho nas reuniões de diretoria, e fui devidamente espinafrado por um jornalista do ABC Color, jornal que move intensa campanha contra os atuais contratos de Itaipu. Eu deveria ter falado da sala do Conselho, que fica em plena barragem, e não da diretoria, que, para ter o cafezinho servido a paraguaios e brasileiros, teria de contratar um servente de moto...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A ministra sem medo do que vem por aí


De surpresa, o presidente recém-eleito do Paraguai nomeou, para o ministério de Relações Exteriores, uma acadêmica, a historiadora e engenheira agrônoma Milda Rivarola. É essa senhora aí ao lado, de imponentes 1,80m, social-democrata, que assume com a tarefa de dar substãncia à briga de Fernando Lugo por mais dinheiro de Itaipu ao Paraguai. Já falou que usará seus talentos de historiadora para se contrapor às teses brasileiras contra mudar as tarifas de Itaipu.

Ela está sob observação da esquerda, que tem desconfianças das credenciais da nova ministra. A pressão sobre ela só contribui para obrigá-la a mostrar que não pretende aliviar nas conversas com o Brasil.

Segundo a prática dos governos de coalizão, ministérios que mexem com dinheiro foram para a mão dos conservadores, como o ministério da Agricultura, que ficou com um membro do centro-direitista Partido Liberal. Um sinal de que Lugo terá no gabinete gente bem situada para brecar arroubos desapropriatórios na reforma agrária que prometeu. Os brasilguaios devem estar mais esperançosos.
Interessantes mesmo foram as palavras da nova ministra, minutos depois de nomeada, para a rádio Primero de Marzo, segundo o Estadão:
"Eu nunca quis fazer parte do aparato estatal. Para os que vêm do mundo acadêmico ou do setor privado, tomar essa decisão é algo difícil. Mas não pude tirar o meu da reta em um momento tão emblemático para o Paraguai"

O grifo aí em cima é meu. Não encontrei a declaração nos sites em espanhol, mas, se o redator do Estadão foi fiel às palavras da ministra, a nova chanceler vem trazendo todo um novo colorido à linguagem diplomática do Cone Sul.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A corrida dos que não foram

Era novembro do ano passado, e a histeria sobre a corrida armamentista detonada pela Venezuela chegava ao nível da epilepsia intelectual, com artigos tremelicantes lançando olhos para todas as direções, menos para os fatos. Eu escrevi AQUI que era uma balela essa história toda. Voltei depois ao assunto, lá no Sítio do Sérgio Leo. E volto agora, só para aproveitar o exemplo e recomendar aos leitores cuidado com a profusão de analistas de análise pronta que anda vicejando nesse campo das relações externas.

É da Venezuela, do El nacional, que vem o relato sobre uma pesquisa de um instituto independente da Suécia, sobre o aumento, real, dos gastos com armas no continente. O estudo despreza a tese de corrida armamentista, e dá outras razões para as compras de equipamento militar, entre elas a que se estabeleceu, após passada a histeria: as Forças Armadas, no continente, estão mal equipadas e cheias de trecos obsoletos. Mas deixa os suecos falarem:

"Las compras parecen haber sido motivadas fundamentalmente por los esfuerzos para reemplazar o modernizar el material, con el objetivo de mantener la capacidad existente, responder a amenazas predominantemente de seguridad interior, fortalecer vínculos con gobiernos proveedores, aumentar la capacidad de la industria nacional armamentista o fortalecer la imagen regional o internacional"

Sim, os suecos falam em espanhol, eu avisei que era matéria do El Nacional, da Venezuela. O resto, AQUI.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O novo chefe das FARC

"La designación de 'Cano' como comandante seguramente fue una decisión de 'Marulanda'. Así, en un primer momento, su autoridad y el acatamiento dentro de las Farc estarán basados en el hecho de haber sido ungido por el mítico líder. Y fue escogido por duro, no por blando. "

Esse é Alfredo Rangel Suarez, um lúcido analista da cena política colombiana, para quem é um engano pensar que a debilidade das Forças Armadas Revoluciobnárias da Colômbia vai levar a guerrilha a buscar maior negociação. Com a morte de Manuel Marulanda, o mítico líder das farc, seu sucessor não deixa de ser uma piada pronta, já que é fato que as FARC entraram pelo Cano, Alfonso Cano. Tido como mais político e negociador, Cano é um falcão, diz Rangel. Vêm aí sabotagem e terrorismo, prevê ele, AQUI.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Dirceu atropelou o Itamaraty

O Ricardo Balthazar, no Valor, deu um furo que eu gostaria de ter dado. (em tempos de escândalos futebolísticos com travestis, cabe um aviso: furo, em jargão jornalístico, é material exclusivo, calma lá).
Com documentos dos arquivos dos EUA, mostra como, ao contr´pario do que se afirma por aí, o governo Lula tentou desde o início uma aproximação com o govverno Bush, e dá detalhes da participação de José Dirceu, que chegou a dar sinais inversos aos do Itamaraty para as autoridades norte-americanas. Falo disso lá no Sítio do Sergio Leo, AQUI.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A declaração extraída à bala


O ministro da Defesa, Nélson Jobim, participou de uma audiência pública, de três horas, e deu uma entrevista coletiva, de duas horas nesta semana, falando da estratégia de defesa preparada pelo governo. Falou para os parlamentares sobre os cenários de defesa e citou a hipótese de invasão da Amazônia. Foi o mote para que repórteres, na coletiva, insistissem com perguntas sobre o temor do governo em relação a uma possível invasão das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, os guerrilheiros das Farc, assunto que nem de longe fez parte da longa e detalhada explanação de Jobim sobre seus planos para as Forças Armadas.

Jobim explicou que não se tratava de prevenção contra nenhuma ameaça em particular, e que não estava se referindo às Farc. Não agradou, os jornalistas queriam declaração sobre esse tema quente. Já na saída, depois de ter se esquivado do assunto com a obstinação de um soldado de infantaria, foi abordado por mais um repórter, que insistiu: "mas ministro, precisamos saber, como as Forças Armadas vão receber as Farc se elas invadirem o Brasil? Com cara de enfado (saco cheio, no jargão militar), Jobim cedeu:

"À bala. Tá respondido".

Manchete de página em um jornal no dia seguinte: "Jobim diz que Brasil receberia as Farc à bala". E citava as informações que Jobim deu sobre a proteção militar às fronteiras amazônicas, dando a impressão que ele se referia à proteção contra os guerrilheiros. No outro dia, outro jornal incorporou-se ao factóide: o assessor de Lula, Marco Aurélio Garcia, "minimizou" as declarações de Jobim, dizia a notícia.

Essa hipertrofia do fato praticada no jornalismo contemporâneo já me rendeu um post, em meu outro blogue. Minha impressão é de que, cada vez mais, o noticiário sobre certos assuntos deveria vir acompanhado de um adendo, com o contexto das declarações das autoridades. Se não for por outro motivo, por pena dos historiadores do futuro.